Radiofrequência monopolar x ultrassom microfocado: quais são as diferenças?

A busca por tratamentos capazes de melhorar flacidez, firmeza e contorno facial sem cirurgia aumentou e duas tecnologias aparecem com frequência nessa conversa: a radiofrequência monopolar x ultrassom microfocado.

Como ambas podem ser utilizadas em estratégias de rejuvenescimento e estímulo de colágeno, é comum surgir a dúvida: radiofrequência monopolar x ultrassom microfocado fazem a mesma coisa?

Embora possam compartilhar alguns objetivos clínicos, elas produzem energia de maneiras diferentes, interagem com os tecidos de formas distintas e oferecem possibilidades diferentes de tratamento.

E há um detalhe importante: em determinados pacientes, a escolha não precisa ser “uma ou outra”.

As duas tecnologias podem inclusive fazer parte de um mesmo planejamento, conforme avaliação profissional.

Radiofrequência monopolar x ultrassom microfocado são a mesma tecnologia?

A radiofrequência monopolar utiliza energia eletromagnética, cuja interação com os tecidos promove aquecimento controlado. Já o ultrassom microfocado utiliza energia acústica concentrada em pontos focais, onde é convertida em calor e forma zonas localizadas de coagulação térmica. Embora ambas possam ser utilizadas para flacidez e remodelamento, seus mecanismos físicos e a forma de distribuição da energia são diferentes.

De maneira simplificada:

Radiofrequência monopolarUltrassom microfocado
Energia eletromagnéticaEnergia acústica
Produz aquecimento tecidualCria pontos focais de coagulação térmica
A energia é distribuída em um volume de tecidoA energia converge para profundidades programadas
Muito relacionada a remodelamento dérmico e firmezaMuito relacionado a lifting, sustentação e remodelamento em diferentes planos
Não trabalha necessariamente com um único “ponto focal” fixoPode atuar em profundidades focais pré-definidas

As duas utilizam calor como parte importante da resposta biológica, mas não produzem esse calor da mesma maneira.

Como funciona a radiofrequência monopolar?

A radiofrequência utiliza uma corrente eletromagnética que atravessa os tecidos, encontrando resistência durante sua passagem.

Essa interação gera aquecimento.

Na radiofrequência monopolar, a configuração dos eletrodos permite que a energia percorra um volume relativamente amplo de tecido.

A tecnologia eleva a temperatura de maneira controlada para estimular respostas relacionadas ao colágeno, à matriz extracelular e aos fibroblastos.

Uma revisão publicada em 2025 sobre radiofrequência monopolar analisou estudos histológicos e observou aumento do conteúdo dérmico de colágeno após o tratamento, com alterações que podem persistir por até seis meses. Os autores também descrevem mudanças relacionadas à elastina e à organização da matriz extracelular, mecanismos associados à melhora progressiva da flacidez da pele.

Outra revisão sistemática recente sobre tecnologias de radiofrequência destaca que o aquecimento controlado pode desencadear contração de colágeno e neocolagênese, contribuindo para melhora de textura, elasticidade e firmeza.

Por isso, a radiofrequência monopolar é muito associada a objetivos como:

Mas nem toda radiofrequência monopolar é igual.

Frequência, forma de entrega de energia, resfriamento, controle de impedância e características da plataforma influenciam a experiência e a distribuição térmica.

Como funciona o ultrassom microfocado?

O ultrassom microfocado segue outra lógica.

A tecnologia utiliza ondas de ultrassom que atravessam os tecidos e convergem em pontos focais definidos.

Essa associação permite diferentes padrões de entrega de energia e atuação em diferentes níveis de profundidade.

Uma revisão clássica sobre ultrassom microfocado descreve justamente essa capacidade de entregar calor transcutaneamente em zonas focais programadas e em diferentes níveis de profundidade, desencadeando resposta de cicatrização e remodelamento de colágeno.

Uma revisão sistemática que reuniu 16 estudos encontrou resultados favoráveis do ultrassom microfocado para tightening facial, incluindo melhora de sobrancelhas, região submentoniana e rugas.

Mais recentemente, uma revisão sistemática de 2025 sobre HIFU também apontou aplicações para skin tightening, rejuvenescimento facial e contorno corporal.

Radiofrequência monopolar x ultrassom microfocado trabalham na mesma profundidade?

Essa comparação precisa ser feita com cuidado.

O ultrassom microfocado é uma tecnologia em que a profundidade focal pode ser programada.

Dependendo do equipamento e do aplicador, o médico pode selecionar diferentes planos.

Já na radiofrequência monopolar, a energia não funciona como um “ponto focal” de ultrassom.

Sua distribuição depende de fatores como:

  • frequência;
  • impedância dos tecidos;
  • geometria dos eletrodos;
  • potência;
  • duração da entrega;
  • sistema de resfriamento;
  • tecnologia utilizada.

Portanto, dizer simplesmente que: “radiofrequência trabalha superficial e ultrassom trabalha profundo” é uma simplificação excessiva.

Existem radiofrequências capazes de produzir aquecimento em diferentes planos e ultrassons capazes de trabalhar diferentes profundidades.

A diferença principal está na maneira como essa energia chega ao tecido.

Então o que muda quando falamos de profundidade?

No ultrassom microfocado, é possível imaginar a aplicação como pontos térmicos colocados em níveis determinados.

Na radiofrequência monopolar, é mais adequado imaginar um campo de aquecimento controlado dentro de determinado volume de tecido.

Essa é uma distinção importante.

Não significa que uma estratégia seja superior à outra.

Significa que elas oferecem formas diferentes de trabalhar os tecidos.

XERF: o que muda na radiofrequência monopolar multifrequencial?

Dentro da categoria de radiofrequência monopolar existe uma nova geração de tecnologias.

O XERF, da Cynosure Lutronic, utiliza radiofrequência monopolar multifrequencial.

A plataforma combina: 6,78 MHz + 2 MHz.

Essa associação permite diferentes padrões de entrega de energia e atuação em diferentes níveis de profundidade. A plataforma também utiliza feedback de impedância e diferentes configurações para personalização da aplicação.

Na prática, isso amplia as possibilidades da radiofrequência monopolar para estratégias voltadas a:

  • firmeza;
  • flacidez facial e cervical;
  • contorno;
  • remodelamento;
  • linhas e rugas;
  • qualidade da pele.

O XERF também integra resfriamento criogênico e permite tratamentos sem agulhas, sem necessidade de anestesia e sem downtime.

Por que usar duas frequências?

A frequência influencia a maneira como a energia se distribui pelo tecido.

Ao trabalhar com 6,78 MHz e 2 MHz, o XERF amplia as possibilidades de entrega quando comparado a sistemas que trabalham apenas com uma frequência.

O objetivo não é criar os mesmos pontos focais do HIFU.

O objetivo é promover um aquecimento volumétrico controlado em diferentes níveis do tecido.

Essa diferença será especialmente importante quando compararmos XERF e HIPRO.

HIPRO: ultrassom micro e macrofocado em diferentes profundidades

O HIPRO trabalha com HIFU, ultrassom focado de alta intensidade.

A tecnologia permite selecionar diferentes profundidades sem depender da troca de diversos cartuchos.

A plataforma dispõe de profundidades microfocadas entre: 1,5 mm e 4,5 mm e profundidades macrofocadas entre: 6 mm e 13 mm.

Isso permite ao profissional utilizar a tecnologia não apenas em estratégias faciais de lifting e sustentação, mas também em diferentes objetivos corporais e de contorno, conforme a indicação.

Para o comparativo deste artigo, porém, o ponto principal é o ultrassom microfocado.

Ele permite que o profissional selecione o plano focal no qual os pontos térmicos serão produzidos.

Esse controle da profundidade é uma das características mais importantes do HIFU.

Produzem o mesmo tipo de estímulo de colágeno?

Não exatamente.

Tanto a radiofrequência monopolar quanto o ultrassom microfocado podem estimular processos de remodelamento do colágeno, mas fazem isso por caminhos físicos diferentes.

Na radiofrequência monopolar, a energia promove um aquecimento mais distribuído em um volume de tecido. Esse calor controlado pode provocar contração inicial de fibras de colágeno e, posteriormente, estimular fibroblastos e processos de reorganização da matriz dérmica, favorecendo neocolagênese e melhora progressiva da firmeza.

Já no ultrassom microfocado, a energia não aquece o tecido da mesma forma. A tecnologia concentra a energia em pequenos pontos focais localizados em profundidades previamente definidas, criando microzonas de coagulação térmica.Essas microlesões controladas desencadeiam uma resposta de reparo, que também envolve remodelamento e produção de novo colágeno.

Uma forma simples de visualizar é:

Radiofrequência monopolarUltrassom microfocado
Aquece um volume de tecidoCria pontos térmicos focais
O calor é mais distribuídoA energia fica concentrada em profundidades específicas
Favorece remodelamento dérmico e firmezaFavorece reparo localizado e sustentação em planos definidos
Estímulo de colágeno ocorre a partir do aquecimento tecidualEstímulo de colágeno ocorre a partir das microzonas de coagulação

Ou seja, as duas tecnologias podem chegar a um resultado biológico semelhante: remodelamento de colágeno, mas por mecanismos diferentes.

É justamente essa diferença que ajuda a explicar por que os profissionais não precisam tratá-las como concorrentes. Dependendo da avaliação, podem atuar em alvos diferentes e até fazer parte de uma mesma estratégia de tratamento.

Afinal: XERF ou HIPRO?

A rA resposta correta não deveria começar pelo nome da tecnologia. Antes de tudo, deveria começar pelo paciente.

Por isso, o médico precisa avaliar alguns pontos fundamentais:

  • qual é a principal queixa;
  • se a alteração está predominantemente relacionada à qualidade da pele, à firmeza ou à sustentação;
  • quais planos o médico precisa tratar;
  • e, por fim, se existe indicação para uma abordagem combinada.

A partir dessa avaliação, o profissional consegue definir com mais precisão qual estratégia faz sentido.

Nesse contexto, o XERF representa uma nova geração da radiofrequência monopolar. A tecnologia combina duas frequências e, assim, amplia as possibilidades de tratamento voltadas à firmeza, à qualidade da pele e ao remodelamento tecidual, além de oferecer uma proposta de conforto e ausência de downtime.

Por outro lado, o HIPRO utiliza ultrassom micro e macrofocado com diferentes profundidades programáveis. Dessa forma, o médico pode direcionar a energia para diferentes planos e trabalhar objetivos como lifting, sustentação e melhora do contorno.

Portanto, a escolha não deve partir de uma comparação simplificada entre qual tecnologia é “melhor”.

Em determinados pacientes, uma única tecnologia pode atender ao objetivo clínico. Em outros casos, porém, a associação pode fazer mais sentido.

Isso acontece porque XERF e HIPRO utilizam mecanismos diferentes e, consequentemente, podem atuar de maneira complementar.

Assim, em vez de escolher entre um ou outro de forma automática, o médico pode integrar os dois recursos de maneira estratégica, conforme a anatomia, a queixa predominante e os objetivos do tratamento.

Em resumo, quanto mais individualizada for a avaliação, maior será a capacidade de escolher a tecnologia certa ou a combinação certa para cada paciente.

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