A radiofrequência monopolar não é uma tecnologia nova. Ela já faz parte da medicina estética há décadas e possui literatura clínica e histológica relacionada ao tratamento não invasivo da flacidez e das alterações associadas ao envelhecimento cutâneo. Estudos publicados desde o início dos anos 2000 já avaliavam seus efeitos sobre o tecido periorbital, enquanto trabalhos posteriores demonstraram alterações relacionadas ao colágeno e ao remodelamento dérmico.
Então, se a tecnologia já é conhecida, o que realmente mudou?
A evolução está menos na existência da radiofrequência e mais na capacidade de controlar onde a energia térmica é distribuída, em quais planos teciduais ela atua e como sua entrega pode ser adaptada às características de cada região.
É nesse contexto que surge uma nova geração de plataformas de radiofrequência multifrequencial, como o XERF, que combina duas frequências, 6,78 MHz e 2 MHz, associadas a diferentes modos de profundidade e a um sistema de entrega de energia ajustado durante o tratamento.
A mudança, portanto, não é simplesmente “mais potência”.
É mais controle sobre a energia.
A radiofrequência monopolar já funcionava. Então por que falar em evolução?
Para entender o que mudou, primeiro é preciso voltar ao princípio.
Na radiofrequência monopolar, uma corrente eletromagnética percorre os tecidos entre um eletrodo ativo e um eletrodo de retorno, produzindo aquecimento em função das propriedades elétricas do tecido e dos parâmetros utilizados. A distribuição desse calor depende de fatores como frequência, potência e tempo de exposição. Springer
O aquecimento controlado pode provocar alterações térmicas no tecido conjuntivo. A literatura descreve mecanismos relacionados à contração de estruturas de colágeno e, posteriormente, à ativação de processos de remodelamento tecidual e neocolagênese. Uma revisão publicada em 2026 reforça que a radiofrequência monopolar pode produzir tanto remodelamento imediato do colágeno quanto respostas subsequentes relacionadas à produção de novo colágeno.
Isso ajuda a explicar por que a radiofrequência monopolar permanece relevante mesmo depois de tantos anos.
Mas existe uma questão fundamental: o rosto não é um tecido homogêneo.
A pele possui diferentes camadas. A derme apresenta propriedades diferentes do tecido adiposo subcutâneo. Os septos fibrosos também possuem características próprias. Estruturas de sustentação, como a rede fibroseptal, o sistema músculo-aponeurótico superficial e os ligamentos de retenção, estão distribuídas em diferentes planos.
Por isso, entregar energia sem considerar essa arquitetura pode limitar a possibilidade de direcionar a resposta térmica para o tecido que se pretende trabalhar.
É justamente nesse ponto que a evolução da radiofrequência monopolar ganha relevância.
O que muda quando a radiofrequência trabalha com diferentes frequências?
Frequência não é apenas uma especificação técnica na tela do equipamento.
Ela influencia a maneira como a energia interage com os tecidos.
Um estudo publicado em 2025 no Lasers in Medical Science comparou, por meio de modelagem computacional e análise histológica em modelo suíno, os efeitos térmicos de radiofrequência monopolar de 6,78 MHz, 2 MHz e da combinação das duas frequências.
Os resultados mostraram diferenças importantes.
Nos modelos analisados, a radiofrequência de 2 MHz produziu efeitos térmicos mais amplos e profundos no tecido adiposo, enquanto a frequência de 6,78 MHz apresentou maior concentração de aquecimento ao longo dos septos fibrosos.
Quando as duas frequências foram combinadas, os pesquisadores observaram uma resposta térmica mais pronunciada na região de transição entre derme e tecido subcutâneo. A análise histológica também demonstrou remodelamento de colágeno e fibras elásticas na derme e nos septos fibrosos.
Esse achado é particularmente interessante porque muda a maneira de pensar a tecnologia.
Não se trata simplesmente de escolher entre uma frequência “forte” e outra “fraca”.
Trata-se de compreender que frequências diferentes podem apresentar padrões diferentes de interação com estruturas teciduais diferentes.
Radiofrequência multifrequencial: mais profundidade não significa simplesmente mais energia
Esse é um ponto importante para a prática clínica.
Quando se fala em “atingir mais profundamente”, existe o risco de interpretar profundidade como sinônimo de intensidade.
Não necessariamente.
O objetivo de uma plataforma multifrequencial não deveria ser simplesmente aumentar a quantidade de energia entregue. O desafio é distribuir a energia de maneira coerente com o plano anatômico que se pretende atingir, mantendo controle térmico e segurança.
No caso do XERF, a arquitetura tecnológica utiliza 6,78 MHz e 2 MHz em uma estratégia que permite trabalhar diferentes níveis de profundidade. A documentação técnica do sistema descreve modos superficial, médio e profundo, com o modo profundo combinando as duas frequências.
A própria pesquisa computacional e histológica publicada em 2025 fornece uma base interessante para esse conceito: no modelo estudado, 6,78 MHz apresentou maior concentração térmica nos septos fibrosos, enquanto 2 MHz apresentou maior distribuição em regiões mais profundas do tecido adiposo.
Isso não significa que cada frequência tenha uma “profundidade fixa” universal.
A distribuição final depende também de:

Portanto, falar em controle de profundidade é mais preciso do que simplesmente falar em “penetrar mais”.
E se a anatomia muda de uma região para outra?
Essa talvez seja uma das perguntas mais importantes quando se pensa em flacidez facial.
A região periorbital, por exemplo, não apresenta a mesma espessura ou arquitetura tecidual da região mandibular.
O terço médio também possui características diferentes do pescoço.
Além disso, o envelhecimento facial não ocorre exclusivamente na pele. Alterações acontecem em diferentes componentes da estrutura facial, incluindo derme, tecido adiposo, sistema músculo-aponeurótico e ligamentos de retenção. Um estudo publicado em 2026 descreve essa rede de sustentação como um sistema vertical interconectado que participa da arquitetura tridimensional da face.
Isso ajuda a explicar uma limitação conceitual de protocolos que tratam toda a face como se fosse uma superfície uniforme.
A mesma estratégia energética pode não ser ideal para todos os planos e regiões.
Por isso, a possibilidade de trabalhar com diferentes frequências, profundidades, aplicadores e padrões de entrega amplia a capacidade de personalização.
O XERF e a personalização da radiofrequência monopolar

No XERF, a personalização não está apenas na escolha da região.
O sistema combina diferentes frequências com diferentes modos de profundidade e utiliza a tecnologia Wave Fit™ para ajustar a estrutura dos pulsos de acordo com as configurações selecionadas e as características do tecido. A documentação técnica descreve ainda monitoramento de impedância e temperatura durante a aplicação.
Essa lógica representa uma mudança importante de paradigma.
Em vez de pensar: “Qual aparelho devo usar para tratar flacidez?”
o raciocínio clínico passa a ser: “Qual plano tecidual quero trabalhar, qual resposta pretendo provocar e como devo entregar a energia para chegar a esse objetivo?”
É uma mudança pequena na frase, mas grande no raciocínio.
A tecnologia passa a ser uma ferramenta de estratificação do tratamento, e não apenas uma fonte de energia.
Controle térmico: quando conforto também faz parte da tecnologia
Outro ponto que evoluiu na radiofrequência é o controle da experiência durante a aplicação.
O aquecimento é justamente o mecanismo desejado, mas o profissional precisa controlar a interação térmica com a superfície cutânea.
No XERF, o sistema utiliza resfriamento criogênico integrado e monitoramento de temperatura da superfície. A documentação clínica do equipamento descreve interrupção automática da emissão de RF quando a temperatura superficial ultrapassa 43 °C.
Esse tipo de controle é relevante porque permite separar duas coisas que muitas vezes são colocadas como opostas: energia térmica necessária versus experiência tolerável durante o tratamento.
Em um estudo clínico publicado em 2025, 20 mulheres com fototipos III e IV receberam uma sessão de radiofrequência monopolar multifrequencial de 6,78 e 2 MHz. Após 12 semanas, avaliadores independentes identificaram corretamente as imagens pós-tratamento em 80% dos casos, com GAIS médio de 2,75/4. Todas as participantes atribuíram pelo menos 7/10 à satisfação, e a dor foi classificada como leve a moderada; nenhum evento adverso inesperado foi registrado.
É importante, entretanto, interpretar esses resultados dentro do desenho do estudo: trata-se de uma amostra pequena, com 20 participantes, todas mulheres, sem grupo controle.
Portanto, o estudo contribui para a evidência clínica da tecnologia, mas não permite generalizar os resultados para todos os pacientes.
O que a evidência mais recente mostra sobre o XERF?

A evolução da literatura é especialmente interessante porque novos dados continuam aparecendo.
Em agosto de 2026, um estudo retrospectivo publicado no Lasers in Medical Science avaliou 16 mulheres submetidas a uma única sessão de XERF, acompanhadas imediatamente após o tratamento e em um e três meses. Os pesquisadores utilizaram análise tridimensional, medidas morfométricas periorbitais, avaliação computadorizada da qualidade da pele e instrumentos de percepção do paciente.
Os autores observaram alterações de distribuição volumétrica facial, elevação progressiva de parâmetros relacionados à posição das sobrancelhas e melhora em indicadores de qualidade da pele, incluindo rugas, uniformidade e tamanho dos poros. Também foram observadas melhorias em questionários de satisfação facial.
Ao mesmo tempo, os próprios autores classificam os resultados como preliminares, destacando a necessidade de estudos prospectivos e controlados com amostras maiores.
Então, afinal, o que realmente mudou?
A radiofrequência monopolar continua baseada em um princípio conhecido: utilizar energia eletromagnética para produzir aquecimento controlado dos tecidos.
O que está mudando é a sofisticação na forma como essa energia é entregue.
A evolução pode ser entendida em cinco movimentos:
1. De uma energia única para diferentes frequências
A radiofrequência multifrequencial permite explorar diferentes padrões de interação energética com os tecidos.
2. De uma superfície homogênea para uma anatomia em camadas
A face possui diferentes planos estruturais. Trabalhar esses planos de maneira mais direcionada amplia as possibilidades de personalização.
3. De parâmetros fixos para maior adaptação
A combinação entre frequência, modo de profundidade, estrutura de pulso, impedância e monitoramento térmico permite uma abordagem mais individualizada.
4. De aquecimento sem controle suficiente para gerenciamento térmico
O objetivo não é simplesmente aquecer.
É aquecer de maneira controlada.
5. De tratar apenas a aparência para pensar na estrutura
A discussão atual sobre skin tightening está cada vez mais relacionada à arquitetura dos tecidos que sustentam a face, e não apenas à superfície da pele. Estudos recentes sobre XERF investigam justamente a relação entre derme, septos fibrosos, tecido subcutâneo e estruturas fasciais.
XERF: quando a radiofrequência passa a responder à anatomia
Talvez essa seja a melhor maneira de entender o que há de diferente.
A pergunta deixou de ser apenas: “Qual radiofrequência usar?”
E passou a ser: “Qual resposta tecidual quero provocar, em qual plano e com qual estratégia de entrega energética?”
O XERF foi desenvolvido dentro dessa lógica: uma plataforma de radiofrequência monopolar multifrequencial, com 6,78 MHz e 2 MHz, diferentes níveis de profundidade e recursos destinados ao controle e à personalização da aplicação.
Isso não significa que toda radiofrequência anterior tenha se tornado obsoleta.
Significa que a tecnologia evoluiu para oferecer mais possibilidades de adaptação ao tecido e ao objetivo clínico.
Para o profissional, essa diferença importa.
Porque quanto mais complexa é a anatomia, mais importante se torna compreender que energia, profundidade, temperatura, tempo e área tratada não são variáveis isoladas.
Elas fazem parte de uma mesma estratégia.
E é justamente aí que a nova geração da radiofrequência monopolar começa a ocupar um espaço diferente na prática clínica.
Conheça o XERF e entenda como a tecnologia multifrequencial pode ampliar as possibilidades de abordagem da flacidez facial.




